terça-feira, 20 de maio de 2008

A Parada da Mídia


Não é uma beleza quando a gente encontra um texto que traduz exatamente o nosso pensamento sobre o que quer que seja?

O texto abaixo é um bom exemplo disso. Ele fecha uma idéia/impressão que eu tinha e ainda não tinha chegado a concluir.


Telejornalismo é inseguro para cobrir a temática gay, diz pesquisa

Redação Portal IMPRENSA

Enquanto a cidade de São Paulo se prepara para receber, no próximo dia 25, milhões de pessoas para a Parada do Orgulho Gay - com mobilização do comércio, da rede hoteleira, de agências de viagens e de empresas de entretenimento e lazer - a mídia impressa e eletrônica ainda é tímida na hora de dar espaço para a temática gay.

A constatação é do jornalista, historiador e professor Irineu Ramos, que, em sua dissertação de mestrado, analisa as reportagens que os telejornais das TVs abertas fizeram da Parada Gay de 2007, e que agora completam um ano.

"O jornalismo eletrônico deixa transparecer uma forte insegurança na hora de cobrir os eventos e os fatos gerados pelo acontecimento da Parada paulista. Tanto que é incapaz de relatar questões subjetivas do mundo homossexual", diz Ramos. Para o pesquisador, os telejornais tornam-se prisioneiros de temas-chavão e, com isso, produzem um gay que pouco tem a ver com a realidade.

Para explicar melhor a questão da identificação desses temas, o jornalista efetuou a clipagem (captura de imagens) de todas as reportagens das TVs abertas envolvendo a Parada de 2007, no período compreendido entre cinco dias antes da festa (a preparação) e dois dias após (o rescaldo). Nesse espaço de tempo, a Parada Gay foi notícia 48 vezes.

"Os telejornais praticamente ignoraram os aspectos relacionados à sub-cultura gay (o que daria subsídios e condições para uma discussão junto com a sociedade) e prenderam-se apenas em questões concretas, como o faturamento do comércio, a lotação dos hotéis e as ocorrências policiais envolvendo punks, roubos de celulares e assassinato de um turista francês, por exemplo", diz.

Ramos explica que ignorar toda a realidade humana de um segmento da sociedade - reduzindo este universo social a uma fonte de renda para o comércio - é estabelecer fronteiras que delimitam categorias sociais e culturais: "deixar de lado a diversidade que compõe o mundo homossexual é estabelecer regras de conduta e produzir mais desigualdade".

Uma das questões principais da reprodução da desigualdade está no fato de os telejornais não separarem sexo de gênero. "Isto é uma forma hegemônica de ver o mundo. A TV não consegue transmitir gêneros sociais sem estabelecer vínculo com o comportamento sexual", comenta. A falta dessa distinção faz com que o telespectador não consiga entender a diferença entre um e outro. Com isso, acaba reproduzindo conceitos preconceituosos.

Países como os Estados Unidos dispõem de entidades organizadas para reduzir o preconceito sexual na mídia. Em Los Angeles, por exemplo, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD), instituição especializada na atuação junto aos meios de comunicação contra a difamação sexual é chamada por diretores de programas de televisão de cinema para identificar se determinado projeto de filme ou entretenimento tem cunho preconceituoso.

Fonte: Portal Imprensa

3 comentários:

Isa Zeta disse...

Adorei as fotos do seu blog.
Principalmente do post Fato & Ficção, do dia 05/05.

Passarei aqui mais vezes. :)

A. Azevedo disse...

engraçado pois eu estava discutindo justamente sobre esse mesmíssimo assunto antes de vir parar neste blog MUITO por acaso agora e ler esse texto.

existe um filósofo francês, chamado Guy Debord, que escreveu um livro chamado "A Sociedade do Espetáculo" em meados do século que diz o seguinte:

"As pessoas admiráveis em quem o sistema se personifica são conhecidos por aquilo que não são; tornaram-se grandes homens ao descer abaixo da realidade da vida INDIVIDUAL humana. Todos sabem disso" (p.41)

Ou seja, o que contesta o sistema, o que vai de encontro com a moral que rege este sistema, ele absorve. Ser gay vai de encontro com o sistema capitalista-conservador-religioso, e já que é assim, ele o utiliza como fonte de estatísticas monetárias e através de uma carnavalização do evento que deveria ser um ato de protesto contra esta mesma sociedade - hipócrita, alienada e espetaculista.

A. Azevedo disse...

by the way, linkarei esse blog no meu, ok?